Informática: O que fazer dela?

Informatização
do aprendizado:

O
QUE MUDA NA SALA DE AULA.

(Minuta
de trabalho para Palestras)

Professor
Stelio Medeiros de Araujo

Junho
– 2011.

Justificativa

Conjuntamente ao resto da atividade humana, a educação está recebendo o impacto da tecnologia digital, ao apropriar-se desses novos instrumentos que, como já visto em outros ramos, determinarão uma revolução, também, na ciência, arte e ofício do aprender.

O fato é que esta transformação esta vindo por gravidade ou seja é inevitável, até pela obviedade das vantagens obtidas pelo homem, ao utilizar-se do computador, capaz, entre outras coisas, de automatizar a atividade humana rotineira ou repetitiva executando em frações de segundo aquilo que levaria horas e até dias para dar conta, ou não daria conta com segurança, envolvido nas fragilidades da emoção ou da consciência extensiva sobre a realidade, que nos permite também, tomar pontos de vista, opiniões e decidir intuitivamente e com acerto, coisa que o computador até o
momento, apenas começa a ser capaz.

Ao se fazer presente em um sistema complexo como o sistema educativo da sala de aula, a transformação pode, em um primeiro momento e dependendo de como seja procedida:

  1. Somar-se ao esforço educacional produzindo expressivos ganhos constatáveis nos resultados educacionais;
  2. Descomprimir a atividade do professor, conferindo-lhe maior domínio sobre o seu tempo para pesquisas, estudo, uso pessoal, diversão e cultura, humanizando a atividade docente ;
  3. Aumentar o grau de dificuldade, face  ao próprio acréscimo de conteúdo representado por esta nova cultura;
  4. Criar descoordenação na atividade fim e sala de aula;
  5. Acrescentar-se aos problemas do professo criando elementos para uma rejeição prematura desta cultura;
  6. Estimular a prática meramente reprodutiva por parte dos alunos, substanciada na cultura do Ctrl+C e Ctrl+V (Copia e Cola);

Este trabalho se direciona a traçar um cenário possível, do como as relações de trabalho serão alteradas em sala de aula, pela extensiva utilização do computador nos processos educacionais, propondo uma abordagem que permitirá maximizar este ganho  em uma visão que seja conectada à realidade e  expressiva de um profundo conhecimento do sistema educacional em foco, sem o qual
não será possível interferi-lo, ao menos em caminho mais objetivo, menos tortuoso e que conduzirá à obtenção dos resultados mais imediatos que a população espera e o país necessita.

Ao longo do seu desenvolvimento pretendo demostrar que a adoção dos novos recursos educativos digitais e aí se incluem todos os equipamentos que fazem parte do sistema produtivo digital moderno e não apenas o computador desktop ou laptop, notebook’s ou netbook’s mas também, os ultra-potateis tablets e smartphones, projetores, telas, televisores digitais, digitalizadores de imagem, câmeras, etc, e principalmente o software educacional específico, pode ser convergente com o aumento da produtividade escolar, com a satisfação das necessidades específicas do professor e até mesmo com a redução dos custos projetados para o sistema educacional, no volume do atendimento previsto.

As potencialidades que o uso do computador tem em educação, todas as pessoas que fazem uso dele, reconhecem imediatamente. Isto acontece por diversas razões ligadas à vocação do equipamento para estimular o auto aprendizado entre as quais:

  • Robustez e complacência ao erro operacional que induz ao aprendizado por erro e acerto, introduzindo a prática experimental no aprendizado o que tem excelente resultado na fixação de conteúdos computacionais.
  • Estrutura lógica dos sistemas operacionais e softwares, introduzindo uma aprendizagem preditiva por reconhecimento da filosofia de desenvolvimento dos sistemas.
  • Comodidade e convergência de mídias, permitindo maior concentração ao conteúdo e menor dispêndio de energia psíquica e fisiológica, se for trabalhada a questão do foco operacional e da dispersão.
  • Elevado índice de adesão ao estudo pelo seu caráter desafiador e instigador representado pelas características relacionadas acima.
  • Estas propriedades se aplicam e transferem com facilidade ao conhecimento específico de um conteúdo genérico a ser trabalhado através do computador.
  • A construção de métodos e hábitos de trabalho ligados ao uso rotineiro do computador.

Esses pressupostos nos permitem sem dúvida afirmar que é chegada a hora do auto estudo e o momento em que cabe ao professor delegar aos próprios alunos a tarefa de pesquisar os conteúdos que serão trazidos à turma para a necessária socialização, discussão, correção e reconstrução coletiva.

A prática que ainda temos.

Vamos agora elencar as principais caraterísticas
da prática educativa ainda geralmente predominante e o que nela é
incompatível  com  a modernização proposta.

  1. Presença centralizadora do professor na sala
    de aula, diferencialmente ao professor instituidor da sala de aula
    e/ou turma ou grupo de alunos estudantes no qual não procura se
    incluir e exige distinção.
  2. Presença do professor prolator da aula,
    aquele dotado do conhecimento inquestionável, acima da capacidade
    humana dos mortais alunos e que por isso centraliza todas as
    explicações necessárias, não havendo ninguém que conheça ou
    possa desenvolver um discurso que seja simplesmente mais
    compreensível ou adequado à transmissão do “conhecimento” que
    o do pequeno Deus.
  3. Este professor assume o ônus de discursar do
    início ao fim do encontro. Para isso  treinou as ferramentas do
    discurso de tergiversação: empostação da voz, controle da
    plateia, desrespeito às pausas e portanto às perguntas.
  4. Em caso de dúvida possui a última palavra
    como faculdade, dotado da onisciência, detentor de recursos mágicos
    e perito na tergiversação, tudo em favor da “educação” e com
    dividendos para sua imagem,  mais uma faculdade divina.
  5. Turmas de alunos desgastados por um histórico
    de relação competitiva a qual foram orientados desde a própria
    família e mesmo na pré-escola.
  6. Acomodação doentia a este ambiente, onde o
    aluno se satisfaz em ser um objeto passivo do processo de
    “aprendizado”, encarando a apresentação do professor como um
    filme ou, digo as vezes, um desenho animado de TV onde não pode
    haver: reapresentação do conteúdo, ilações, questionamentos e
    dúvidas, (pois farão perder outras partes do raciocínio)
    impedindo-lhe os mecanismo mentais de fixação do conteúdo de
    atuarem.
  7. Relações humanas corroídas na sala de aula
    pelo conjunto deste ambiente negativo.
  8. Outras vezes quando o professor é receptivo
    a perguntas adotando uma proposta despojada e renovadora, salas
    inteiras adotam a postura de saturar o mestre de perguntas,
    expressando sua acomodação  ao comportamento do prolator, aquele
    que se propõe a responder a todas as interrogações –
    inviabilizando o fluxo do raciocínio da aula e até mesmo,
    impedindo que o grupo chegue a conclusões no assunto.

A renovação da prática.

A democratização  do acesso as tecnologias da
informação, aí não se considere isoladamente o uso de
computadores ou mesmo da Internet e o uso isolado de nenhuma das
mídias, incluindo bibliotecas complexas, em sua aspereza, frieza, e
quase sempre na insalubridade de suas instalações atuais, por
exemplo, não resolve a questão do acesso democrático as
informações, porque, para ser democrático, o acesso as ideias
precisa ser, não apenas aberto mas, convidativo, à contestação e
ao contraditório, portanto, necessita prever, como ponto de partida,
a maior diversificação possível das fontes de informação.  Por
isso, não podemos pensar que a Internet veio para substituir as
Bibliotecas, nem admitir, que as as escolas que desejamos não sejam
dotadas das mais amplas, diversificadas e confortáveis bibliotecas,
fisicamente localizadas em seu espaço interno, além  dispor de todo
o acesso às mídias digitais modernas. Tudo isso deve ser garantido,
além de prover todos os recursos necessários a garantir a presença
do aluno na escola em horário extra aula, tais como merenda e
refeições.

A prática que estamos propondo é a de dividir
responsabilidade ou corresponsabilizar o produto educacional com os
seus alunos, com a sociedade, com as famílias. Isto é realista se
considerarmos aquilo que é ponto pacífico no discurso dos
educadores atuais, que ninguém ensina ninguém a pensar. Completo,
pode-se ensinar a alguém comportamentos mecânicos, nunca se vai
ensinar alguém a discernir, a posicionar-se, isto é uma conquista e
somente em uma Educação Libertadora (Paulo Freire), esta pode
apenas ser, estimulada.

O pressuposto geral para uma educação
propositiva do discernimento é o do conhecimento diversificado e
portanto o da maior diversidade possível para as fontes de
informação.

O papel do Estado e portanto da Educação
Pública é oferecer amplamente esta diversificação e orientar o
jovem para a sua apropriação.

O papel das famílias é instrumentar aos seus
filhos e suas crianças para a confiança de que possam vir a assumir
este conhecimento que autoriza ao discernimento, bem como qualquer
conhecimento que desejem, com suficiente firmeza. Para isso há que
se impedir o bullyng já no âmbito da família e credenciar e
valorizar o comportamento estimulador, rejeitando a velha prática do
sucesso pela competitividade.

O papel dos jovens é buscar o conhecimento todos
os dias e em boa parte eles já trazem consigo esta inquietação.

O papel da escola e dos educadores é não ser o
ambiente de delimitação do acesso ao conhecimento desses jovens.

O papel do coletivo dos alunos é se apoiar
mutuamente para a aprendizagem portanto adotar uma postura respeitosa
com os colegas conscientes de que no ambiente da turma ou da equipe
ninguém sabe  tudo e mesmo os que nada sabem do conhecimento formal
muitas vezes sobrevivem muito bem na vida extraescolar.

Porém a responsabilidade de instituir uma escola
participativa e solidária é nossa dos educadores interrompendo a
competição como instrumento de emulação ao estudante.

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